sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Caminhos de papel


Eu simplesmente amo ler. Desde pequena, antes mesmo de entender o que aquelas 'formiguinhas' no papel significavam. Depois que eu percebi que os livros guardavam um mundo de sonhos, viagens e fantasias, daí que eu não parei mais. Leio de tudo. Minha curiosidade me leva a isso. Não contente em apenas ler, também gosto de brincar com as palavras, juntá-las, rimá-las, jogá-las ao vento para que busquem um porto seguro e possam encantar a outros. Por que aprisionar algo que deve ser compartilhado sempre?
Tenho um texto sobre minha experiência com leituras que escrevi para um curso que fiz quando era professora de Ed. Fund. I da Prefeitura de SBC, mas por ser um pouco grande, publiquei a parte. Se tiverem curiosidade para ler e comentar, clique aqui. Será interessante ouvir a opinião de todos. É uma história onde um dos meus livros preferidos se refere a mim na terceira pessoa, contando minha trajetória pelo mundo da leitura. Está um pouco desatualizado, já tem por volta de 7 anos que foi feito, mas mesmo assim ainda mostra muito de mim.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

depoimento de leitora


Sou de uma família que valoriza muito a educação, mas que não tem o hábito da leitura. Meus pais, que têm pouco estudo, queriam que fossemos leitores fervorosos, mas eles não eram. 
Lembro-me que na minha infância, meu pai ia semestralmente para São Paulo fazer compras e sempre trazia para mim e meus irmãos livros infantis de presente. Mesmo sem ter o hábito, ele sabia como era importante que nós tivéssemos. Era uma longa espera e uma festa na chegada. Dos livros que ganhei, o que mais gostei foi a fábula: O Menino e o Lobo.
Mas… foi cometido um crime comigo e acredito que com muitos alunos da minha geração. À partir da 5ª série tínhamos que ler os livros indicados pela professora de Língua Portuguesa e fazer as fichas de leitura.
Assassinaram meu gosto pela leitura, tive que ler livros e autores que não gostava, perdi o interesse e deixei de ler por prazer.
Só retomei o gosto pela leitura quando comecei a dar aulas, pois a situação de professora não leitora me incomodava. Criei coragem, comecei a ler autores e títulos que me chamavam a atenção e aos poucos voltei a ler com e por prazer.
A viagem que a leitura nos proporciona é singular e maravilhosa! Ficar sem ela foi um período sem cor e brilho em minha vida. Sou feliz por ter voltado à ativa e poder viajar com alegria pelo mundo da leitura.


Silvia R. Bisi Ruiz

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Depoimento



Olá, pessoal.
            Ler é magia pura para mim e desde criança penso assim. Ainda me lembro de pegar 'gibis' e fotonovelas, tudo muito antigo, de parentes que já estavam crescidos, e ler muito. Como ler sem ser alfabetizada?Então, eu dei um jeito, pois observava a sequência e criava histórias correlacionadas às imagens. Depois, na escola, eu devorava o livro didático, até  que meus pais, professores, amigos começarem a me dar livros. Ouro puro para mim, mas não abria mão do Tio Patinhas, depois Monteiro Lobato, Mark Twain, até chegar a Machado de Assis, Dante, Homero. Foi um longo e maravilhoso percurso e eu, como professora de português procuro fazer com meus alunos entendam isso, que ler é prazer, também tem uma parte obrigatória, mas... Enfim, no Ensino Médio, mesmo cumprindo listas de vestibulares, procuro introduzir "Romeu e Julieta”, "Contos de Poe", Calvino, Kafka, dentre outros... ah e mitologia grega, sempre mesmo.
            Com o Ensino Fundamental é uma festa: "Pollianna", o povo do Pica-pau Amarelo, Harry Potter, etc. Não é um caminho fácil, mas para minha grata surpresa, há dois anos, um aluno meu, do oitavo ano, sempre muito calado, me trouxe um livro que ele havia lido e adorado: "A mão esquerda de Deus”. Gostei tanto da narrativa que comprei um exemplar para mim!
            Foi muito marcante essa troca com meu aluno, ele não foi o único, muitas meninas depois trocaram informações e volumes comigo também, mas ele foi o primeiro! Sempre trabalhei em escola pública e é muito gratificante perceber que nossos alunos também são dedicados e leitores vorazes.   Também acho que as editoras perceberam o grande filão que é a literatura infanto-juvenil e confesso, adoro tal literatura! Mesmo encontrando "Crepúsculos” da vida- não gostei dessa série, mas li, porque as meninas amam tal saga, por outro lado, li Harry Potter por obrigação e virei fã de carteirinha, o que comprova que sou meio 'moleca' até hoje- enfim, ler é uma viagem e tanto e não posso me furtar de uma lição: incentivar à leitura é dever de todos, mesmo que não seja do nosso gosto particular!
            E uma experiência que dá muito certo também é escolher livros clássicos -"O gênio do crime', "Os meninos da Rua Paulo” (eu sempre choro com esse, não tem jeito)- e de literaturas como a árabe, por exemplo, ou a africana de língua portuguesa. Descobri recentemente lendas indígenas (do Brasil eu já explorava) norte-americanas. Enfim " vasto, vasto mundo..."

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Memórias de Um Livro


"Sou um livro. Um livro com uma história para encantar pessoas de todas as idades, mas apenas você poderá dizer se sou bom ou ruim.
Bom, conheço uma pessoa que me acha muito bom, tão bom que vivo na estante dela há quase quinze anos e às vezes ela ainda passa por mim, me abre, folheia minhas páginas amareladas pelo tempo.
Não. Infelizmente não fui o primeiro livro que ela leu, tampouco o primeiro que possuiu. Desde muito cedo ela gostava de livros. Ela, uma menininha ainda, olhava maravilhada para a estante de livros da mãe. Lá em cima, onde ela não alcançava, havia uma cidade regida por Códigos Civis e Direitos Penais.
Na prateleira do meio, uma coleção de livros brancos escritos em vermelho trazia todo universo de Jorge Amado. Dentre eles, um chamava a sua atenção: Dona Flor e Seus Dois Maridos. Era o mesmo título daquele filme onde um homem que morreu aparecia pelado para a sua viúva recentemente casada com outro. Interessada, ela folheava esse livro procurando Dona Flor, Vadinho e o farmacêutico, mas não os via.
Mas, o mais interessante era a prateleira de baixo, onde moravam os mistérios de Ágata Christ, seguidos dos livros de receitas. Esses últimos eram bonitos, tinham figuras e era com eles que ela brincava, fingindo ser dona de casa e preparando os mais deliciosos pratos. Uma coisa interessante para se lembrar, afinal, hoje ela detesta cozinhar.
Aos cinco anos, ela ganhou de seu tio uma coleção de livrinhos, menores do que uma folha de linguagem. Eles tinham figuras e dizeres que pareciam música (que hoje ela sabe que são rimas.).
Pronto... Foi aí que tudo começou. Ela andava para cima e para baixo com eles pedindo para a mamãe recitar: “Na hora do banho o bebê lava o patinho...”. E era exatamente isso que a figura dizia, com o fundo vermelho e um grande patinho amarelo e molhado bem no centro. Logo ela também já estava recitando: “Na banheira cheia de espuma, mas ele não se enxuga...”. Estranho, pois ela ainda nem estava na escola.
Depois disto vieram os gibis da Turma da Mônica, O Clássico Disney, mas o primeiro livro que ela leu na escola, com 8 anos, foi A Gargalhada do Jacaré. Era um livro meio sem sentido para ela, com muitos acontecimentos, o que o tornava meio confuso. Ainda bem que ela não se deixou abalar.
No ano seguinte ela conheceu O Menino Maluquinho, com seus pés de vento, seu olho maior do que a barriga e macaquinhos no sótão, “embora nem soubesse o que eram macaquinhos no sótão”.
No mesmo ano ela conheceu Uma Rua Como Aquela. Um livro compriiiiiiiiiiiiido, sem muitos acontecimentos, paradinho. Com muito esforço ela chegou até o final. Mais um desafio vencido!
Isso foi bom para deixá-la preparada para mim. Cheguei e ela já estava na 4ª série.
Ela me olhou, me virou, folheou e me deixou de lado meio que desacreditada. Talvez pelo meu número de páginas (sou meio comprido), ou pelo nome do autor francês Maurice Druon. Ah... Já sei! Foi o título sem muito atrativo: O Menino do Dedo Verde. Sim... O que tem demais em um menino de dedo verde?
Incentivada pela professora, ela logo descobriu e chegou rapidinho ao último capítulo que leu e releu devagarzinho, tentando adiar ao máximo o fim do livro.
Daí vi chegar ao meu lado uma porção de coleções como Vaga-Lume, Veredas, Vôo Livre que reuniram Marcos Rey, Pedro Bandeira, Márcia Kupstas entre tantos títulos como O Enigma da Televisão, Agora Estou Sozinha, Revolução em Mim.
Foi A Marca de uma Lágrima de Pedro Bandeira que a incentivou a escrever seus primeiros poemas:
“Há um menino abandonado
que dorme sob a lua:
- Não se preocupe, meu menino
que a noite é toda sua."
Neide Lúcia e Maria Célia foram as professoras que a incentivaram muito a escrever poemas e redações e a viajar nas páginas de livros diversos.
Quão grande foi minha alegria ao ouvi-la dizer na 8ª série:
- Vou ser professora de Português!
E saiu atrás de Magistério. E saiu atrás de Faculdade de Letras.
Ih... Nessa época foi difícil. Tantos livros interessantes e tão pouco tempo para estar com eles. Claro que havia aqueles que ela não fazia questão como Crônica de uma Casa Assassinada, Fogo Morto e Riacho Doce (ela detesta José Lins do Rego).
Mas havia aqueles... Ah... Aqueles como Capitães da Areia.
Pedro Bandeira e Márcia Kupstas estavam cedendo suas cadeiras para A Estrela da Vida Inteira de Manuel Bandeira e a Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres de Clarice Lispector.
João Cabral de Melo Neto veio depois se apresentando:
- “O meu nome é Severino, não tenho outro de pia...”.
Vinha de braços dados com Carlos Drummond de Andrade cheio de Sentimentos do Mundo. Chegaram muito educadamente, desvencilhando-se das ironias de Machado de Assis, tapando os ouvidos para as intimidades de Bocage e se descontraindo com a dúvida de Cecília Meireles:
- Ou Isto? Ou Aquilo?
Anne Rice veio depois da faculdade com suas crônicas vampirescas e O Servo dos Ossos que está difícil de terminar. Isso porque ela arrumou A História Sem Fim de Michael Ende. Acho que esse Servo dos Ossos vai ter que esperar mais um pouquinho.
São com estes ilustres que divido a prateleira. Não fui o primeiro a ser lido ou possuído, mas fui o primeiro a mostrar a ela que livros não têm autores ou número de páginas. Livros têm vida, têm imaginação e guardam um mundo de fantasia para compartilhar com aqueles que ousam abri-los."

by Patrícia Augusto Carlos