segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Crônica: Um dia Qualquer


Eu já falei que não conhecia o homem. Mas o Sr. Delegado nem quis saber. Tá lá atendendo outra ocorrência, me mandou esperar.
O que mais ele quer que eu diga? Tinha um corpo na minha porta de manhã. Eu também não queria ver isso, eu também queria um dia como outro qualquer. Mas não, minha porta tinha que ser a escolhida. Entre 8 portas daquele corredor, tinha que ser a minha.
Tudo começou como sempre. Acordei com a droga do relógio despertando. Nem tentei ficar mais 5 minutos na cama porque tinha aquela reunião importante. É, tinha.
Levantei e me arrastei até o banheiro para me lavar. Foi nessa hora que a campainha tocou. Enxuguei o rosto com pressa e corri para ver quem era aquela hora da manhã.
Foi assim: abri a porta e ele caiu em cima de mim. Quase morri eu do coração. Olhei no corredor e não tinha ninguém. O baque maior foi descobrir que não era um bêbado ou um drogado e sim um corpo. UM CORPO!
Eu não pedi aquilo, não encomendei nada... Aliás, nem sei como se faz isso. Hoje em dia é tudo muito comum. Queima de arquivo, tiroteio em plena luz do dia, toque de recolher. E a gente que não tem nada a ver com tudo isso fica aqui, preso na delegacia tentando provar inocência, enquanto estão lá fora escolhendo outra porta.
Liguei para a polícia porque era o certo a fazer. Além de esperar mais de uma hora, quando chegaram já vieram me algemando e dizendo que eu teria que me entender com o delegado.
- Você tem o direito de permanecer calado, tudo que disser pode ser usado contra você no tribunal.
- Mas espera aí, ninguém vai perguntar o que aconteceu?
- Guarde seu latim para o delegado.
E estou eu aqui. Ainda. Já era meu dia, já era minha reunião. E ele continua lá, garantindo sua féria. Acabou de pegar mais um café.

Nenhum comentário:

Postar um comentário