E continuamos na nossa caminhada por esse curso que está nos abrindo tantos caminhos e oportunidades de troca de experiências.
A proposta deste módulo era reescrever a sequência a cima em forma de crônica. Para quem quer conhecer a definição e características deste gênero textual clique aqui.
Abaixo estão as publicações de nossos textos. Fiquem à vontade para ler, comentar, sugerir, criticar. Estamos todos aprendendo e esperamos pela contribuição de vocês. Boa leitura!
Bem-vindos, caros leitores, escritores e curiosos. Este blog foi criado para publicação de nossa experiência em um curso de Formação à Distância que estamos fazendo sobre Leitura e Escrita em Contexto Digital. Aqui vocês encontrarão reflexões, pontos de vistas e comentários sobre o mundo fantásticos dos livros. Entrem e sintam-se à vontade para ler, reler, comentar e voltar quando quiserem!
terça-feira, 6 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Crônica: Um dia Qualquer
Eu já falei que não conhecia o homem. Mas o Sr. Delegado nem quis saber. Tá lá atendendo outra ocorrência, me mandou esperar.
O que mais ele quer que eu diga? Tinha um corpo na minha porta de manhã. Eu também não queria ver isso, eu também queria um dia como outro qualquer. Mas não, minha porta tinha que ser a escolhida. Entre 8 portas daquele corredor, tinha que ser a minha.
Tudo começou como sempre. Acordei com a droga do relógio despertando. Nem tentei ficar mais 5 minutos na cama porque tinha aquela reunião importante. É, tinha.
Levantei e me arrastei até o banheiro para me lavar. Foi nessa hora que a campainha tocou. Enxuguei o rosto com pressa e corri para ver quem era aquela hora da manhã.
Foi assim: abri a porta e ele caiu em cima de mim. Quase morri eu do coração. Olhei no corredor e não tinha ninguém. O baque maior foi descobrir que não era um bêbado ou um drogado e sim um corpo. UM CORPO!
Eu não pedi aquilo, não encomendei nada... Aliás, nem sei como se faz isso. Hoje em dia é tudo muito comum. Queima de arquivo, tiroteio em plena luz do dia, toque de recolher. E a gente que não tem nada a ver com tudo isso fica aqui, preso na delegacia tentando provar inocência, enquanto estão lá fora escolhendo outra porta.
Liguei para a polícia porque era o certo a fazer. Além de esperar mais de uma hora, quando chegaram já vieram me algemando e dizendo que eu teria que me entender com o delegado.
- Você tem o direito de permanecer calado, tudo que disser pode ser usado contra você no tribunal.
- Mas espera aí, ninguém vai perguntar o que aconteceu?
- Guarde seu latim para o delegado.
E estou eu aqui. Ainda. Já era meu dia, já era minha reunião. E ele continua lá, garantindo sua féria. Acabou de pegar mais um café.
Mais uma crônica
A
falta que faz o café
Aquilo
não era verdade. Só acontecia em filmes. Aquele formigamento no braço esquerdo
era seu coração? A língua estava crescendo, mas sua boca ficava seca! Ai, ai...
Era um trote, claro, Zé Roberto, do 92 adorava pregar peças. O que era aquilo
na sua porta? Quem tocou a campainha? Cutucou aquilo com o dedão do pé:
gelado!Um cadáver, mas... Como sua mulher não o tinha visto? Quem tocou a
campainha???
Naquela segunda, ele não imaginava o
que o esperava. Ele detestava acordar cedo, era daquele tipo lento pela manhã e
aquela era uma segunda-feira normal, dia que a Dona Patroa saía mais cedo para
o escritório, então ele aproveitava a casa só para si para cochilar mais um
pouquinho.
Mas, infelizmente a soneca tinha que
acabar e ele se içou da cama, todo desconjuntado, onde estaria o chinelo?
Arrastou-se ao banheiro, mudou de ideia e foi direto para a cozinha, onde
colocou a chaleira para ferver a água. Preparou o bule, onde estava mesmo o pó
de café? Sentou-se na banqueta, coçou o queixo, hoje faria a barba, com
certeza, mas depois do café, antes não, antes, nada.
Só que o som da campainha o tirou
das suas reflexões, um som irritante... Pemmm! Pemmm!
- Já estou indo, vai tirar o pai da
forca, vai? É você, querida, esqueceu a chave?
Ele se atrapalhou um pouco, nem usou
o olho mágico para saber quem era, de manhã, a segurança não era prioridade,
nada era. Abriu a porta e já foi reclamando:
- Depois sou eu que me esqueço de
tudo, né? O que foi... Arghhhhhh!
Não tinha ninguém no corredor, quer
dizer, tinha, mas estava estirado no chão, parecia... Parecia... Um corpo! Foi
então que ele entrou em pânico, começou a suar frio e sentiu o pulso acelerado.
Tinha que ligar para o resgate, qual era o número, cadê o celular? Ah, mas será
que estava morto ou era uma peça do Zé? Melhor verificar primeiro.
Abaixou-se com dificuldades, afinal,
flexibilidade não era o seu forte, nem de manhã, nem hora nenhuma. Tocou de
leve o corpo, gelado mesmo. Respirou fundo e olhou para o rosto, mas não viu
nada porque seus olhos estavam fechados, fechadíssimos.
-Vamos homem, encare a fera. É o Zé,
com certeza e vai gritar para te dar um susto. Vai arrebentar o meu aneurisma,
isso sim. Coragem.
Primeiro abriu um olho, depois o
outro e então arregalou os dois: o homem estirado no corredor era ele mesmo!
Ai, ai, ai... Como ele estava se
vendo? Ele fora um bom menino, bagunceiro pra caramba, notas fracas, mas foi
bom. Era um bom homem, um marido mais ou menos legal, um empregado mais ou
menos. É, ele era mais ou menos em tudo, caramba. Mas se ver ali, o que era
aquele apito? Era a ambulância chegando? E aquela luz? E o apito estava cada
vez mais forte, que barulho chato! A luz foi aumentando também...
Epa! Quase caiu da banqueta, a luz
era o sol batendo em seu rosto, o apito era o som da chaleira. Ai bom Deus, ele
estava vivo, mas quis ter certeza e foi até a porta, abriu com medo, mas a
abriu: nada.
Voltou à cozinha e preparou seu
café. Tomou a maior xícara que encontrou, tornou a enchê-la e foi direto para o
banho. Que falta faz um café! Que bom estar vivo. Dona patroa hoje teria uma
surpresa, ia levá-la para um jantar. Chega de ser um homem mais ou menos. Ah, e
mais café, claro, sempre.
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